05/02/2006 22:20
UM NOVO FINAL PARA A HISTÓRIA DE NARCISO
Trago uma homenagem a dois escritores admirados por mim. As obras de ambos se fundem nesse texto. Ouvia falar bastante neles e sempre tive a vontade de conhecê-los um pouco mais. Anos atrás eu estava com um exemplar do Paulo Coelho e outro de Oscar Wilde nas mãos. Optei por ler logo o livro do Paulo, queria dar preferência ao brasileiro (risos). Agora vem o mais interessante: ao ler a primeira página de O Alquimista fiquei surpreso, pois trazia uma bela citação do Wilde. Jamais poderia imaginar tal coincidência.
Fiquei apaixonado pela forma de como O. W. contava a história de Narciso.
É, acabava de confirmar o talento do Oscar lendo Paulo Coelho! Daí em diante eu não parei mais de ler os livros desse singular escritor irlandês... Não é à toa a frase no cabeçalho do meu blog.
Bom, espero despertar, ao menos em um de vocês, o mesmo encanto causado em mim naquele dia.
Abraços, caros amigos.
O Alquimista pegou um livro que alguém na caravana havia trazido. O volume estava sem capa, mas conseguiu identificar seu autor: Oscar Wilde. Enquanto folheava suas páginas, encontrou uma história sobre Narciso.
O Alquimista conhecia a lenda de Narciso, um belo rapaz que todos os dias ia contemplar sua própria beleza num lago. Era tão fascinado por si mesmo que certo dia caiu dentro do lago e morreu afogado. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que chamaram de narciso.
Mas não era bem assim que Oscar Wilde acabava a história.
Ele dizia que quando narciso morreu, vieram as Oréiades deusas do bosque e viram o lago transformado, de um lago de água doce, num cântaro de lágrimas salgadas.
- Por que você chora? perguntaram as Oréiades.
- Choro por Narciso disse o lago.
- Ah, não nos espanta que você chore por Narciso continuaram elas. - Afinal de contas, apesar de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza.
- Mas Narciso era belo? perguntou o lago.
- Quem mais do que você poderia saber disso? responderam, surpresas, as Oréiades.
- Afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias.
O lago ficou algum tempo quieto. Por fim, disse:
- Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo.
Choro por Narciso porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza refletida.
Que bela história, disse o Alquimista.
enviada por Egberto Siqueira
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