01/04/2006 01:51
AMAR: VERBO INTRANSIGENTE
Sim, isso é um desabafo. Nego tudo que tenho lido sobre o amor. A partir de hoje vou tentar defini-lo a minha maneira, ao meu desastrado jeito.
Ninguém pode me culpar por não buscar uma compreensão a respeito desse sentimento. Mergulhei no mais gelado mundo de respostas e nada encontrei. Foi aí que descobri, através das minhas dores, o quanto era leviano conceituar o amor. O meu é completamente diferente do seu, eles são paradoxais. Logo, é insano tentar dizer, em meia dúzia de palavras, o que significa o amor, o que é amar, por que amar, como amar...
São questões mais complicadas do que qualquer outra dúvida filosófica. Confesso não saber amar, mas não me julgue um homem incapaz de sentir meu corpo tomado por essa paixão superior.
Toda vez que percebo estar entrando na perigosa trilha, procuro, imediatamente, o caminho de volta. É, tenho medo de seguir. Mas o coração (é dele que nasce e onde mora o amor?) apronta comigo. Diz-me o quanto será maravilhosa a entrega. Daí o tolo aqui corre atrás, em meio às delícias sentidas, tropeça, cai, fica machucado.
Dias depois, acordo com um sorriso insípido e tento levar a vida adiante. Mas não é tão fácil como minha boca diz. É uma angustia estranha, acredito ser ego ferido... Será raiva por ter sido contrariado? Por ouvir mais uma vez o temido não? Talvez... Eu li que amar é o sentimento mais egoísta que existe, pois você deseja roubar um pouco do outro para você... Então esse egoísmo pode se estender à frustração. Nossa! Cada dia eu tenho a certeza de que não se deve rotular o amor. Ele pode virar de herói a bandido, num piscar de olhos.
Se você acha que terá uma resposta para as indagações deixadas, aviso, ao contrário do bandido coração, que não terá nada além de choros e palavras sofridas.
Hoje estou melhor. Um pouco de vento no rosto, nesses casos, é capaz de curar mais do que qualquer remédio. Sai na rua e vi as crianças brincando. Percebi que elas são, realmente, os maiores professores desse mundo. Apesar de não conhecerem tão bem sobre o amor, até parece que nós adultos conhecemos, elas têm uma reação magnífica diante de uma queda. Mesmo com dor, a criança supera em pouco tempo se avista a gostosa brincadeira que a espera. É isso: ela sabe levantar e voltar à brincadeira.
Hum... Pois é, devo amar outra vez. Para ser sincero eu já estava com raiva de mim por desistir de amar. Não posso se essa é a única forma de se encontrar a felicidade plena. Tudo que aconteceu foi falta de sorte, ou então, o danado do amor tem uma espécie de espião para ver e contar a ele como reagimos diante do obstáculo. Quando mostramos grandeza e força, o amor verdadeiro vem e se apresenta.
É isso! Eureca!
Prometi nada confirmar, mas acredito que isso tudo foi um ensaio criado pelo travesso amor. Amar - verbo intransigente. Lembra, de forma insistente, o papel a ser cumprido por nós, pobres atores.
Às suas ordens amor-diretor, quero voltar a atuar. Quem sabe não chega o dia da minha esperada estréia?
Abraços, amigos leitores.
enviada por Egberto Siqueira
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